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sábado, 14 de maio de 2016

Fernando Lima (1928 - 2005)


Fausto Fernando Batista Lima nasceu em Lisboa a 14 de maio de 1928 e destacou-se como Bailarino. Iniciou-se nesta área por brincadeira nos salões de baile da Ericeira e mais tarde, em 1947, no estúdio de Margarida de Abreu. Foi com essa professora e pioneira do ensino da dança em Portugal que se estreou nos palcos do Teatro Nacional de São Carlos em "Quadros de uma Exposição".
No final da década de 40 já dançava papéis de destaque em obras de Margarida de Abreu como "Nova Chopiniana" e "Pássaro de Fogo". Estagiou depois em Paris, como bolseiro do Instituto da Alta Cultura. De regresso a Portugal, tornou-se no primeiro bailarino português a dançar papéis do reportório clássico tradicional dentro de um contexto profissionalizante.
Em 1956 fundou o Ballet-Concerto, a primeira companhia independente em Portugal, para a qual criou coreografias como "Prelúdio à Sesta de um Fauno", "Piquenique", "Delphiada" e "Galaaz". Apesar do sucesso obtido com os espetáculos a companhia terminou, para renascer dois anos mais tarde com o nome de Ballets de Lisboa, o primeiro agrupamento de bailado a ser subsidiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e que se estreou no Teatro Monumental. Com os problemas financeiros a subsistirem, em 1959 criou os Bailados Portugueses de Fernando Lima, um pequeno grupo virado para a vertente folclórica e com o qual se apresentou no Casino do Estoril e na Europa.
Em 1960 assumiu, ao lado de Margarida de Abreu, a direção da Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio. Na década de 1970 continuou a coreografar, para a Companhia Nacional de Bailado ou para programas de televisão, dedicando-se ao ensino da dança clássica no Centro Cultural de Benfica.
Fernando Lima faleceu em Carnaxide a 17 de agosto de 2005 com 77 anos.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Álvaro Cunhal (1913 - 2005)



Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu em Coimbra a 10 de novembro de 1913 em Coimbra (Sé Nova) e destacou-se como político e escritor. Na sua atividade foi dos mais conhecidos resistentes ao Estado Novo.
Passou a infância em Seia, de onde o pai era natural. O pai retirou-o da escola primária porque não queria que o filho «aprendesse com uma professora primária autoritária e a menina-de-cinco-olhos».
Aos onze anos, mudou-se com a família para Lisboa, onde frequentou o Liceu Camões. Daí seguiu para a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde iniciou a sua actividade revolucionária.
Em 1931, com dezassete anos, filia-se no PCP - Partido Comunista Português e integra a Liga dos Amigos da URSS e o Socorro Vermelho Internacional. Em 1934 é eleito representante dos estudantes no Senado da Universidade de Lisboa. Em 1935 chega a secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas. Em 1936, após uma visita à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), é cooptado para o Comité Central do PCP. Ao longo da década de 30, colaborou com vários jornais e revistas como a Seara Nova e o O Diabo, e nas publicações clandestinas do PCP, o Avante e O Militante, com vários artigos de intervenção.
Em 1940, Cunhal é escoltado pela polícia à Faculdade de Direito, onde apresenta a sua tese da licenciatura em Direito, sobre a temática do aborto e a sua despenalização, tema pouco vulgar para a época em questão. A sua tese, apesar do contexto político pouco favorável, foi classificada com dezasseis valores. Do júri fazia parte Marcello Caetano.
Devido aos seus ideais comunistas e à sua assumida e oposição à ditadura, esteve preso num total de 15 anos, 8 dos quais em completo isolamento sem nunca, incrivelmente, ter perdido a noção do tempo. Mesmo sob violenta tortura, nunca falou. Na prisão, como forma de passar o tempo, dedicou-se à pintura e à escrita. Uma das suas produções mais notáveis aquando da sua prisão, foi a tradução e ilustração da obra Rei Lear, de William Shakespeare.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris.
Ocupou o cargo de secretário-geral do PCP, sucedendo a Bento Gonçalves, entre 1961 e 1992, tendo sido substituído por Carlos Carvalhas.
Em 1968 Álvaro Cunhal presidiu à Conferência dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental, o que é revelador da influência que já nessa altura detinha no movimento comunista internacional. Neste encontro, mostrou-se um dos mais firmes apoiantes da invasão da então Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia, ocorrida nesse mesmo ano.
Entretanto, foi condecorado com a Ordem da Revolução de Outubro.
Regressou a Portugal cinco dias depois do 25 de Abril de 1974.
Foi ministro sem pasta no I, II, III e IV governos provisórios e também deputado à Assembleia da República entre 1975 e 1992.
Em 1982, tornou-se membro do Conselho de Estado, abandonando estas funções dez anos depois, quando saiu da liderança do PCP.
Além das suas funções na direcção partidária, foi romancista e pintor, escrevendo sob o pseudónimo de Manuel Tiago, o que só revelou em 1995.
Em 1989 Álvaro Cunhal foi à URSS para ser operado a um aneurisma da aorta, sendo recebido em Moscovo por Mikhail Gorbatchov o qual o agraciou com a Ordem de Lenine. Nos últimos anos da sua vida sofreu de glaucoma, acabando por cegar.
Faleceu em 13 de junho de 2005 e no seu funeral (15 de junho), participaram mais de 250.000 pessoas. Por sua vontade, o corpo foi cremado.

Museu de Filatelia Sérgio G. Pedro

Divulgação e Promoção de Filatelia como bem Artístico e Cultural